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sábado, 17 de fevereiro de 2018

Giordano Bruno - Infinitos Mundos

Giordano Bruno - Mártir da Liberdade

Infinitos Mundos - Infinitos Sonhos

Giordano Bruno nasceu na Itália na cidade de Nola (próximo a Nápoles) em 1548 e seu nome de batismo era Felippo Bruno. Desde cedo, era um buscador de respostas e aos 13 anos começa seus estudos na escola do monastério São Domingos, local onde São Tomás de Aquino havia vivido e ensinado. Aos 17 anos ingressa na ordem dos pregadores, por onde se dedica por 10 anos, e se torna sacerdote e doutor em Teologia em 1575. Seus estudos foram direcionados aos ensinamentos de Aristóteles e Tomás de Aquino, que sustentavam a fé católica.

Agora, com o novo nome de Giordano Bruno, dado após a entrada no seminário, foi aos poucos chamando a atenção da hierarquia da igreja, pois criticava o modelo aristotélico de forma aberta e direta. Mesmo com o direcionamento da escolástica para Aristóteles e Tomás, Giordano buscou beber em outras fontes, como: Virgílio, Lucrécio, Cícero, Ovídio, Sêneca, Raimundo Lullio, Heráclito e Demóstenes. Porém as influências mais fortes vieram da Filosofia de Platão e Plotino, do conhecimento de Copérnico e do saber de Hermes Trimegisto, que era divulgado Marsílio Ficino.


Perseguido por defender ideias contrárias aos dogmas estabelecidos e de fazer isso de forma nada polida, Giordano se vê obrigado a sair do convento, começando sua vida de peregrinação pela Europa e desbravando a “era das trevas” com a luz da Sabedoria de Platão e Hermes.

Ao sair da Itália, deixou o hábito de monge. Começou a ganhar a vida revisando textos, mas devido a conflitos com um professor local, necessitou continuar emigrando. Seguiu por Suíça, Inglaterra, França, Alemanha e voltou à Veneza em 1592. Em Londres, dedicou-se a ensinar na Universidade de Oxford, onde ministrou aulas sobre a cosmologia de Nicolau Copérnico, atacando o sistema aristotélico. Depois de várias discursões, abandonou Oxford e rumou para a França, onde, em 1585, após um debate público em uma universidade, foi ridicularizado, atacado fisicamente e, por fim, expulso do país.

Retornou a Veneza por convite do Conde Giovanni Moncenigo, que estava interessado na sua arte da memória. Giordano se hospedou na casa do mesmo, mas o conde não ficou contente com o resultado, pois além de necessitar recuperar uma memória já debilitada, sua intenção era aplicar em seus negócios. Após discussão, Moncenigo trancou Bruno no sótão e chamou a santa inquisição. Giordano foi preso, e começaram assim seus 08 anos de martírio.

No ano seguinte, foi entregue a Santa Inquisição Romana, onde foi lançado nas masmorras e sujeito a torturas para quebrar suas convicções e assim negar o que ensinava. Essas tentativas de dobrar o filosofo duraram setes anos. Nesse período, ele se defendeu, e segundo os autos, sempre com mais convicção e argumentos lógicos, apesar de seu corpo se deteriorar cada vez mais. Bruno defendeu-se negando qualquer interesse pessoal em questões teológicas, reafirmando o caráter filosófico das suas afirmações. Foram-lhe dadas duas oportunidades para se retratar, mas ele não o fez. É então condenado a morrer na fogueira, o que acontece no dia 17 de fevereiro de 1600. Conta a história que, quando sua sentença foi lida, ele se dirigiu aos seus juízes dizendo: “talvez vocês, meus juízes, pronunciem esta sentença contra mim com maior medo do que eu ao ouvi-la”.


As Acusações

 Giordano foi acusado pelo santo oficio e abaixo, podemos ver a lista de “injúrias”  das quais fora acusado o Filósofo:

· Sustentar opiniões contrárias à fé católica e contestar seus ministros;
· Defender posições contra a Trindade, a divindade de Cristo;
· Defender posições contra a virgindade de Maria, mãe de Jesus;
· Defender posições contra a Transubstanciação (hóstia/Vinho que se transformam no corpo/sangue de Cristo na missa);
· Defender a existência de infinitos mundos e suas eternidades;
· Acreditar em metempsicose e na transmigração da alma;
· Envolvimento com magia e adivinhação.

Trechos de suas obras, que foram pontos-chave das acusações:

“A Alma do Universo é o Principio criador e constitutivo do mundo... Deus está em cada folha de erva, em cada grão de areia e em cada partícula que flutua no ar... A Mente universal encontra-se em todas as coisas, pois tudo o que existe, tanto a matéria como o espírito, é divino... A mesma força que se manifesta no espaço infinito vive também na menor de cada uma das partículas.Tanto o maior como o menor são uma mesma coisa, pois cada átomo é em si mesmo o espelho do universo inteiro...As coisas diferem entre si, unicamente em relação aos corpos através dos quais se manifestam, pois no fundo todas as coisas são uma mesma coisa. Dai que, se pudéssemos destruir um só átomo, poderíamos também destruir o Universo inteiro. São seus diferentes corpos, o que faz com que as almas pareçam superiores umas das outras. No fundo, todas as almas são uma mesma alma.”

“Só é feliz quem vê as coisas com os olhos da razão...Não são os sentidos senão a razão o princípio da verdade....O objetivo da vida é alcançar a verdadeira sabedoria, a verdadeira moral, a verdadeira justiça, a libertação de nossa unidade com Deus...”

Mártir da liberdade de expressão

Principais Ideias


Podemos resumir as ideias do Giordano Bruno nos seguintes itens:

· Existem outros mundos além do nosso. O universo está constituído por muitos mundos semelhantes à Terra, dessa forma, o nosso planeta não é o centro do universo;
· O universo é infinito no espaço e no tempo. De acordo com isto, a ideia de pontos fixos no espaço ou no tempo deve ser relativa a outros pontos considerados como fixos;
· Sua ética pode ser resumida na seguinte escala de valores: Verdade, prudência, sabedoria, a lei que regula o comportamento das pessoas e a força do espírito que é a virtude interior;
· Deus é o objeto de estudo da filosofia e para tal a Natureza (universo) é o grande laboratório;
· A memória como ferramenta para entender a multiplicidade do universo e sua unicidade.
  
Terra centro de Universo

 Influência Platônica


Bruno resgata a ideia de Platão sobre o universo e o entende como um grande ser vivo, onde cada elemento está conectado como as contas de um colar, e essa organização é fundamentada pelas ideias que são princípios eternos e imutáveis. Cada elemento do universo, por menor que seja, não passa de uma imitação ou sombra da realidade ideal que a direciona.

Nós, seres humanos, também seguimos esse ordenamento universal e nossas ideias não são eternas e imutáveis, mas são o reflexo, o fantasma das ideias que não se alteram. Mesmo sendo a sombra de algo imutável, através das ideias podemos chegar ao verdadeiro conhecimento se encontrarmos um método que consiga assimilar e compreender a complexidade da realidade. Esse método  deve ter a capacidade de entender essa estrutura universal ideal que sustenta todo universo.

Para o nolano, a memória é a ferramenta para entender a unicidade e a multiplicidade do universo.

A importância da Arte da Memória e da imaginação

A memória nos permite impedir que nossa mente se confunda com o grande número de coisas que existem no universo e com os conceitos e representações dessas coisas. Essas representações são sombras das ideias divinas e a memória serve para fixar em nossa mente essas imagens. Através de exercícios de memória podemos colocar em nossa mente um grande número de reflexos das coisas e das ideias divinas, o que torna mais sólida nossa capacidade intelectiva e mais eficaz nossa ação sobre o mundo. Para atingir esse objetivo é que Giordano Bruno foi grande estudioso e professor de mnemônica, que é o estudo de técnicas para facilitar a memorização.

A imaginação teria como função o entendimento do universo, pois não teríamos como entender o contato com o absoluto. Uma de suas citações nos ensina “A cogitação ou discurso natural, baseado em imagens das coisas, que é atividade racional ou intelectual, ou se dá em imagens ou não se dá em absoluto”. Temos a nossa capacidade racional, e devemos desenvolvê-la, mas para além da racional existe a capacidade intuitiva, que será a real iluminação. A razão e a imaginação devem ser desenvolvidas em conjunto e a luz da sabedoria poderá entrar na alma pelo caminho aberto através do esforço em desenvolver essas capacidades, então o ser humano poderá se iluminar pela intuição (capacidade acima da racional).

A imaginação será uma ferramenta de transformação do homem, uma ponte com os deuses. Essa linguagem se baseia em imagens de tipo emblemático, caracteres hieroglíficos, com inspiração tipicamente astrológica. As configurações celestes são como as letras de um livro que expressa os conceitos divinos. Essa linguagem é simbólica, que contrapõe a nossa linguagem convencional e “prática” que não tem uma preocupação com o conteúdo (hoje mais vazio ainda devido a decadência moral em que estamos como sociedade); através desses símbolos, Giordano oferece um despertar das forças ocultas em nosso ser (virtudes), que são capazes de mudar a nossa existência, restabelecendo a saúde moral e física - tudo isso séculos antes de Carl Jung.

A arte da memória terá como diferencial a criação de figuras geométricas e uso de hieróglifos, que era bastante estudado entre os apreciadores do hermetismo. Para Bruno, a memória pode ser benéfica ou maléfica, pode provocar contatos elevados e sagrados com o Divino, mas também com a loucura; por isso a necessidade de um mestre, para que esse conhecimento não seja esquecido pelas novas gerações. O conde Moncenigo, que traiu Bruno, queria usar essas artes para fins pessoais e econômicos. Somente o mestre poderá guiar o discípulo para que o mesmo não “abra portais” desconhecidos, pois o universo está codificado e os símbolos serão as chaves para abrir esses portais - obviamente, o mestre guiará para as entradas que elevarão o espirito ao plano inteligível e a realidade.

O sistema mnemónico de Giordano é universal e, assim como seu pensamento filosófico, pode abranger o todo assim como a parte (o indivíduo), sendo particular o discípulo deve construir o seu próprio sistema de acordo com a sua própria realidade, os seus símbolos, a sua visão subjetiva do mundo. O início começa na própria subjetividade do mundo, nossas referências serão num primeiro momento familiares, mas com o passar do tempo e da prática da arte, novas referências serão adquiridas. Uma imagem chamará a outra e assim sucessivamente, desde o natural ou material chegaremos ao celeste - e por que não? - além dele.
Esse sistema não foi elaborado unicamente para fixar qualquer tipo de coisas que tenhamos que memorizar (embora sirva para isso), mas integra todos os planos do homem e o eleva até o desconhecido; ou seja, possui um fim transcendente. O filósofo também usou decanos do Zodíaco, muito importantes na astrologia Egípicia, oferecendo um ponto seguro de partida e um norte claro a seguir.


Homenagem a Giordano Bruno - Itália

Sobre Deus e a Ética

Giordano Bruno sustenta ainda que o universo é infinito, e como infinito não tem um centro nem uma circunferência.

Em seus estudos sobre ética, coloca o cristianismo como responsável por inverter os valores morais de sua época. O cristianismo transformou a crença sem reflexão em sabedoria, a hipocrisia humana em conselho divino, a corrupção da lei natural em piedade religiosa, o estudo em loucura, a honra em riqueza, a dignidade em elegância, a prudência em malícia, a traição em sabedoria e a justiça em tirania.
Deus, para o filósofo, não pode ser conhecido pelas suas consequências nem por suas obras, da mesma forma que não podemos conhecer o escultor pela estátua. Não podemos conhecer Deus porque Ele está muito além da nossa capacidade intelectiva. O caminho mais digno para nos aproximarmos de Deus é através da sua revelação.

Mas Deus como objeto de estudos da filosofia é a própria natureza. E como natureza Deus é o motivo e a origem do universo. É motivo porque Ele é que define as coisas que formam o universo. E é origem porque é Ele quem dá a existência para as coisas do universo. Deus é o intelecto universal que anima, serve de base e governa o mundo.

Deus é uma força e não um velho de barba branca


Sentenças:
- Deus é tudo em tudo, mas não em cada parte.
- O tempo tudo tira e tudo dá; tudo transforma e nada destrói.
- Não existe satisfação sem tristeza.
- A poesia não nasce das regras.
- Somos a causa de nós mesmos.
- O universo é uno, infinito e imóvel.
- Os homens mais devotos e santos, um dia foram chamados de asnos.
- Não é a matéria que causa o pensamento, mas o pensamento que causa a matéria.
- O homem não tem limites, e um dia se dará conta disso e será livre, ainda neste mundo.
- O amor torna o velho louco e o jovem sábio.
- A ignorância é a mãe da felicidade.


A vida do mestre de Nola, nos mostra a importância de acreditar que a evolução do Homem e a divindade estão em todos os locais, e seguir isso na sua prática diária. O mesmo não voltou atrás em suas afirmações, até porque estavam certas e para os grandes mestres era uma máxima, hoje atribuída a H.P. Blavatsky: “Não há nada superior à verdade”.


Como Giordano sofreu o martírio por manter sua palavra nos ensinamentos dos grandes mestres e por tê-la a ensinado em quase toda a Europa, é considerado ao mártir da liberdade de expressão. Que possamos, assim como esse filósofo, olhar para o céu e ter a certeza de que existem infinitos mundos e que Deus está em todos eles, assim como está no coração.

Máxima

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Netuno é o fim do ciclo.

Hoje o planeta Netuno completa sua primeira órbita desde que foi descoberto em 23 de setembro de 1846. A história da descoberta de Netuno é uma das mais interessantes, no aspecto das ciências.


Em 1771, o astrônomo britânico William Herschel e sua irmã Caroline descobriram o planeta Urano. Depois de várias observações, a órbita de Urano foi estabelecida, de modo que suas efemérides (a posição dele no céu em qualquer tempo) foram estabelecidas com base na teoria da gravitação de Newton. Acontece que Urano teimava em não seguir essas efemérides, ora se adiantando, ora se atrasando da posição prevista.
 
Em 1821, o astrônomo francês Alexis Bouvard, estudando o comportamento anômalo de Urano, propôs que havia um outro corpo celeste, com um tamanho compatível com Urano, que o estava atrasando e adiantando em sua órbita. Vinte anos depois, com base nessa hipótese, o francês Urbain Le Verrier e o inglês John Couch Adams, ambos matemáticos e astrônomos calcularam de forma independente a posição de Urano considerando também a perturbação gravitacional de um outro corpo.


Adams conseguiu que o diretor do Observatório de Cambridge começasse a busca por Netuno em agosto de 1846, mas nada foi encontrado até setembro. Neste meio tempo Le Verrier enviou uma carta ao Observatório de Berlin com as posições calculadas. Coube a um estudante sugerir ao astrônomo alemão Johann Gottfried Galle que comparasse os desenhos da região apontada por Le Verriet, observada algum tempo atrás, com as novas observações.

Na noite do mesmo dia que a carta chegou ao observatório, Galle descobriu Netuno a apenas um grau da posição prevista por Le Verrier e 12 graus da posição prevista por Adams em 23 de setembro de 1846.

Decidiu-se que ambos mereciam o crédito pela descoberta, mas uma onda revisionista recente propôs que Adams não merecia o mesmo crédito de Le Verrier. Apesar de ter sido descoberto por Galle, o primeiro a ver Netuno foi Galileu Galilei em dezembro de 1612 enquanto observava Júpiter. Em janeiro de 1613 ele teria anotado que essa “estrela” teria se mexido em relação às observações anteriores, mas não desconfiou que poderia ser um planeta e não continuou a observá-lo.

Rotações Netuno
Para comemorar a primeira órbita completa desde sua descoberta, o telescópio espacial Hubble obteve novas imagens de Netuno. A combinação dessas quatro imagens mostra uma rotação completa do gigante gasoso, em 16 horas. Comparando essas imagens com outras anteriores, é possível notar um aumento no número de nuvens feitas de cristais de metano. Como o eixo de Netuno está inclinado de 29 graus, ele passa por mudanças de estações, como a Terra. Em Netuno cada estação dura quase 40 anos, atualmente é verão no hemisfério sul e as nuvens estão migrando para o Norte.
 
Autor: Cássio Barbosa é doutor e pós-doutor em astronomia e leciona na Universidade do Vale do Paraíba. Sempre comprometido com ensino e divulgação, neste espaço traz as últimas novidades dos céus de maneira descomplicada e descontraída.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

A neurociência da espiritualidade

     O cientista americano Kevin Nelson explica ao site de VEJA o que acontece no cérebro de quem, na iminência da morte, relata ter antevisto o Além. E adianta: 'o mistério da espiritualidade continua'.

        No filme Além da Vida, dirigido por Clint Eastwood, a jornalista vivida por Cécile de France é tragada por um tsunami na Ásia e quase morre afogada. Na iminência da morte, a personagem enxerga vultos de pessoas vagamente familiares sob uma luz difusa. Ao 'voltar à vida', tem a impressão de que acaba de passar por uma experiência espiritual e conclui ter antevisto o 'outro lado'. Todo ano acontecem incontáveis casos assim: pessoas em risco de vida enxergam parentes e amigos envoltos em luzes ou têm a sensação de sair do próprio corpo.


        A ciência define estas experiências de quase morte como resultado da diminuição do fluxo sanguíneo no cérebro, o que provoca alterações momentâneas na mente. “Em casos de quase morte, os estados de consciência podem se misturar, provocando reações como paralisia e alucinações”, explica o neurocientista americano Kevin Nelson, autor do livro The Spiritual Doorway in the Brain – a Neurologist’s Search for the God Experience (O Portal Espiritual no Cérebro – a Busca de um Neurologista pela Experiência Divina, sem previsão de lançamento no Brasil).

       Na obra, Nelson explica a ciência por trás das experiências de quase morte, mas não descarta o papel da fé e da espiritualidade. "Mesmo se nós soubéssemos o que faz cada molécula cerebral durante uma experiência de quase morte, ou qualquer outra experiência, o mistério da espiritualidade continuaria." Em entrevista ao site de VEJA, Nelson revela como nosso cérebro cria essas visões e diz que, apesar de tudo, ainda espera que exista vida após a morte.


The Spiritual Doorway in the Brain

O autor do livro, o neurologista Kevin Nelson, é professor da Universidade de Kentucky

      Por que os relatos de pacientes que passaram por situações de quase morte são tão parecidos? Porque a causa é a mesma. A cada segundo, o cérebro regula a quantidade de sangue que circula dentro dele. Se o fluxo sanguíneo diminui, o cérebro encara isso como uma crise e aciona mecanismos que controlam a passagem entre os estados de consciência. Normalmente, nosso cérebro tem três estados de consciência: a vigília, quando estamos acordados, o sono leve e o sono profundo. O cérebro mantém esses estados bem separados. Mas o processo é diferente em pessoas que tiveram uma experiência de quase morte. Nesses casos, em vez de passar diretamente do sono para a vigília, o 'interruptor' pode misturar os estados de consciência. Ou seja, ela não está totalmente dormindo e nem acordada. Em um momento de crise, reações como paralisia e alucinações podem se manifestar.

       Como o senhor explica a sensação de estar fora do corpo ou a luz no fim do túnel? Durante a experiência de quase morte, o sistema que ativa o sono pode ser estimulado, desativando a região do cérebro ligada à percepção espacial e causando essas experiências extracorpóreas. No caso da luz do fim do túnel, quando o cérebro é privado de sangue – o que pode ocorrer no caso de um desmaio ou parada cardíaca –, o fluxo sanguíneo também diminui nos olhos, o que pode dar a impressão de que há um túnel com luzes borradas.

     Há alguma diferença entre voltar da morte e a experiência de quase morte? Para um neurologista, não existe essa opção de voltar da morte. Se o seu cérebro está morto, você está morto. Quando o cérebro morre é porque os neurônios morrem, as células nervosas morrem. O que acontece é que o cérebro pode continuar a funcionar com sua capacidade limitada. É como que só houvesse uma goteira de fluxo sanguíneo no cérebro. Em alguns casos, podem pensar que o paciente morreu, mas não é o caso. O cérebro continua bem vivo.

    A experiência de quase morte só ocorre em pessoas que passam por situações limite? Isso é interessante porque, na maioria das vezes, a experiência de quase morte é causada por um desmaio. Sabemos que um desmaio pode provocar uma experiência parecida com a de quase morte. Nos Estados Unidos, um terço da população vai desmaiar alguma vez na vida, o que torna a experiência de quase morte ou a experiência espiritual uma situação comum. Ao observar os registros médicos das pessoas que tiveram uma experiência de quase morte, apenas metade delas estava em perigo médico real. Outra metade pensou estar em perigo, mas não estava em uma situação médica grave.
Experiência de Quase Morte

     O senhor acha que ciência e religião estão se aproximando? Eu não acho que, nesse caso, a ciência e a religião estão em conflito. Na verdade, estou interessado em saber como o cérebro funciona. A ciência pode dizer como o cérebro funciona, mas não pode dizer por que ele funciona desse jeito. Mesmo se nós soubéssemos o que faz cada molécula cerebral durante uma experiência de quase morte, ou qualquer outra experiência, o mistério da espiritualidade continuaria existindo. E sempre haverá um espaço para a fé de cada um.

     Qual o futuro da neurociência da espiritualidade? Será muito empolgante. Hoje nós temos equipamentos para analisar o cérebro com os quais nem poderíamos sonhar há vinte anos. Podemos ver de perto como são as atividades cerebrais. Acho que a neurociência da espiritualidade ainda está no início e que descobertas muito empolgantes estão no nosso horizonte.

     Qual a importância de entender as funções neurológicas da espiritualidade? É muito importante. Ao entender como o cérebro funciona durante experiências significativas é que poderemos saber verdadeiramente o que significa ser humano, no sentido moderno.

     O uso de drogas também pode provocar situações parecidas com a experiência de quase morte? Sim. Por exemplo, a quetamina, que é um medicamento utilizado rotineiramente como anestésico, pode causar experiência extracorpórea. Mas não existe uma única droga capaz de produzir todo o fenômeno do que pensamos ser a experiência de quase morte. Muitas pessoas têm experiência de quase morte sem ter nenhum tipo de medicamento em seu sistema.

       Podemos dizer que o processo de experiência de quase morte é parecido com um sonho? A experiência de quase morte usa frequentemente alguns dos mecanismos utilizados nos sonhos. Mas não é correto comparar a experiência de quase morte com o sonho que temos toda noite. As alucinações do processo de quase morte podem parecer com sonhos lúcidos, que ocorrem enquanto as pessoas estão conscientes.

      Como o senhor se interessou pelo tema? Há trinta anos, quando ainda era um residente de medicina, um paciente me trouxe uma fotografia de uma cena que ele mesmo havia pintado após uma experiência de quase morte. Na imagem, ele estava deitado no quarto da UTI, e no pé da cama estava uma figura que representava o diabo. Entre ele e o diabo, havia um anjo guardião. O diabo estava disposto a levar sua alma. Jesus chegou e o salvou. Na ocasião, ele achou que toda essa situação foi responsável por sua recuperação. E sentiu-se mais poderoso por conta disso. Guardo esta foto até hoje.

       Por que outros cientistas têm receio em abordar o assunto? Infelizmente, neurologistas não tendem a se interessar por experiências subjetivas. Eles estão muito mais interessados em olhar para as células em um microscópio.

      Seu trabalho pode ser considerado provocativo. E o senhor escreveu que pretende continuar provocando controvérsia. Por quê? As pessoas têm várias perguntas. Ninguém tem todas as respostas. Essa é uma área que temos que pensar permanentemente. Nós precisamos continuar discutindo sobre como o cérebro realmente funciona.

      O senhor acredita que existe vida após a morte? Eu realmente espero.

Fonte: Revista VEJA

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

A Gravidade de Newton

         Por volta de 1665, ao observar a queda de uma maçã de uma árvore, segunda a lenda, Isaac Newton sugeriu que a força que puxa uma maçã para a terra é a mesma força que mantém a lua na sua órbita à volta da terra. A razão para a lua não cair na terra deve-se ao efeito do seu movimento orbital. Se a lua cessasse o seu movimento em órbita, cairia inevitavelmente na terra, e a sua aceleração devida à gravidade a que estaria sujeita à superfície da terra seria 9,8 m/s2 - a mesma aceleração duma maçã ou qualquer outro objeto em queda livre.

         Até ao séc. XVII, o peso de um corpo foi considerado uma propriedade inerente a todos os corpos e que não necessitava de maior explicação. Segundo Newton, os corpos têm peso porque a Terra exerce sobre eles uma força, chamada força de atração gravítica.

      A Lei Universal da Gravidade de Newton (ou Lei da Atracção Universal) estipula que a força gravítica entre dois quaisquer corpos do Universo é uma força de atração diretamente proporcional às massas dos corpos e inversamente proporcional ao quadrado da distância entre eles.

      Para calcular a Força Gravítica (F)(2), as suas massas (m1 e m2) e a constante gravítica (G) são multiplicadas, sendo o resultado dividido pelo quadrado da distância (r) , obtendo-se assim:

      De acordo com a teoria de Newton, a força da gravidade entre dois ou mais corpos depende das suas massas. No entanto, a aceleração gravitacional de um corpo que é atraído não depende da sua massa: se forem largados simultaneamente de cima de uma torre - sendo a resistência do ar ignorada - uma bola de tênis e uma bola de canhão, elas atingirão o solo simultaneamente.

        Este fenômeno é explicado pela 2ª Lei do Movimento de Newton: se num corpo atuar uma força ou uma força resultante diferente de zero, o corpo ficará sujeito a uma aceleração. A força (F) aplicada a um corpo é igual à massa (m) deste multiplicada pela sua aceleração (a): F=m.a, o que implica que a ace-leração “puxa” mais ou menos as massas.

         Se as duas equações de forças de Newton forem combinadas, Pode-se deduzir que a constante da gravidade G terá a curiosa dimensão m3/kg.s2, ou seja, volume dividido pela massa vezes quadrado do tempo.


DESAFIOS A NEWTON

Pari Spolter

      Alguns autores contestam a Teoria Gravitacional de Newton, bem como a própria definição de gravidade.


     “Gravidade” é definida no Devil’s Dictionary como a tendência de um corpo se aproximar de outro, com uma força proporcional à massa - a grandeza de massa é diretamente proporcional à força que atrai dois corpos.

       No seu livro Gravitational Force of the Sun, Pari Spolter apresenta uma forte crítica à teoria ortodoxa de que a gravidade é proporcional à quantidade de matéria ou à densidade da massa inerte. Spolter afirma ainda que não existe razão válida para incluir qualquer termo de massa em nenhuma das equações de forças, argumentando que Newton não necessitaria de saber ou estimar as massas da Terra ou da Lua para deduzir - a partir do sistema Terra-Lua - que a gravidade obedece a uma lei inverso-quadrado (a força inversamente proporcional ao quadrado da distância).

         Segundo a sua teoria, Newton apenas necessitaria de conhecer a aceleração da gravidade à superfície da Terra, o raio da Terra, a velocidade orbital da Lua e a distância entre a Terra e a Lua. Bem como anteriormente referido, a aceleração gravítica de um corpo em queda livre é independente da sua massa, o que foi verificado a um alto nível de precisão.

          Spolter rejeita a 2ª Lei de Newton F=m.a, argumentando que não é a Força igual à massa vezes aceleração, mas sim Peso. Define, como força linear F=a.d (aceleração vezes distância) e como força circular (incluindo gravidade) F=a.A (a é a aceleração e A é a área de um círculo cujo raio é igual à distância entre os corpos orbital e central). Esta equação implica que a aceleração devida à gravidade seja inversamente proporcional ao quadrado da distância, mas que a força gravítica do Sol, Terra ou outro corpo é constante para qualquer corpo que orbite nele. Na teoria de Newton, pelo contrário, varia de acordo com a massa do corpo em órbita e a distância ao corpo central.

           Gravidade não envolve uma área acelerada à volta do Sol, como sugere a equação de Spolter. Pelo contrário, envolve a relação de massa-energia do Sol e dos planetas associada à sua energia gravitacional. E atua não num espaço vazio, mas num éter energético - pormenor que não consta em nenhuma das duas teorias físicas, quer de Spolter, quer ortodoxa.

Outros fenômenos

                  Segundo a teoria gravitacional de Newton, seria esperado que a atração da gravidade nas montanhas fosse mais elevada do que no mar. Na realidade, a gravidade no topo de uma alta montanha é menor do que a esperada, baseada na sua massa visível, enquanto que à superfície do oceano é inesperadamente elevada.
            
                   Foi desenvolvido o conceito de “Isostasy” para explicar este fenómeno, postulando que existe rocha de baixa densidade 30 a 100 Km abaixo da superfície do mar. Mas esta hipótese não está comprovada. Contudo, a teoria “Isostasy” entra em contradição com o fato de, em regiões de atividade tectónica, movimentos verticais frequentemente intensificam anomalias gravitacionais, ao invés de atuarem de forma a restabelecer o equilíbrio isostático.

                     O ‘Efeito Hutchison’...efeitos eletromagnéticos obtidos através da combinação de equipamento elétrico, incluindo condutores Tesla, produziam a levitação de objetos..., fusão de materiais não similares, aquecimento anômalo de metais sem a combustão de material adjacente, fratura espontânea de metais e alterações na estrutura cristalina e propriedades físicas de metais


Comportamento Planetário


                 A teoria graviacional de Newton é desafiada ainda por vários aspectos de comportamento planetário no nosso sistema solar, como por exemplo os anéis de Saturno e os asteróides, cuja natureza complexa e dinâmica está para além da explicação newtoniana.

             Um outro fenómeno desafia Newton: os planetas exteriores - Júpiter, Saturno, Urano e Netuno - apresentam desvios das suas órbitas. Recentemente, astrónomos americanos anunciaram a descoberta do décimo planeta que orbita em torno do Sol, batizado temporariamente como 2003 UB313 (para alguns cientistas considerado um asteróide, como os planetas transnetunianos, pertencente ao Cinturão de Kuiper). Teria de ser 2 a 5 vezes mais massivo que a Terra e 50 a 100 vezes mais distante do Sol do que a Terra é (Plutão é cerca de 30 vezes mais afastado do Sol do que a Terra). No entanto, o ‘novo planeta’ é, segundo alguns autores, pouco maior do que Plutão (que é apenas 2/3 o tamanho da Lua). Atualmente o planeta está, em relação ao sol, a uma distância 97 vezes maior do que a que existe entre a Terra e o Sol, mas a sua órbita altamente excêntrica projectá-lo-á para uma distância consideravelmente maior.

Escudo da Gravidade

            Tanto a gravidade como o eletromagnetismo obedecem a leis inverso- quadrado, ou seja, a sua força diminui com o quadrado da distância entre os corpos envolvidos. Contudo, noutros aspectos, parecem ser bastante diferentes. Por exemplo, a força da gravidade entre dois eletrons é cerca de 1042 mais fraca do que a sua repulsão elétrica. A razão pela qual as forças eletromagnéticas não dominam a gravidade no dia a dia deve-se ao fato da maioria das coisas ser composta por uma quantidade equivalente de cargas elétricas positivas e negativas, cujas forças se cancelam. Enquanto que as forças elétrica e magnética são claramente bipolares, a gravidade é genericamente assumida como sendo sempre atractiva, de modo a que ne-nhuma força com as mesmas características mas contrária a anule. Outra diferença é que a presença de matéria pode modificar ou proteger forças eléctricas e magnéticas, bem como radiação electromagnética, enquanto que nunca foi medido um enfraquecimento da gravidade ao colocar matéria entre dois corpos. No entanto, algumas experiências evidenciam o que pode ser interpretado como escudo da gravidade ou desvios da lei inverso-quadrado.

                Durante os eclipses solares de 1954 e 1959, o físico Maurice Allais (Prémio Nobel da Economia em 1988) detectou distúrbios na direcção do movimento de um pêndulo paracónico (suspenso numa bola). Erwin Saxl e Mildred Allen confirmaram o ‘Efeito Allais’ quando mediram variações significativas do movimento de torção de um pêndulo durante o eclipse solar de 1970. Uma interpretação sugere que estas anomalias se devem ao facto da gravidade do Sol ser escudada pela Lua, resultando num ligeiro aumento da gravidade terrestre. Allais e Saxl também detectaram inesperadas variações do movimentos de pêndulos ao longo do dia e das estações do ano.

                 Uma anomalia gravítica similar foi medida usando um sistema de dois pêndulos durante o alinhamento da Terra-Sol-Jupiter- -Saturno em Maio de 2001.

                Shu-wen Zhou e os seus colaboradores confirmaram a ocorrência de uma força anómala de oscilação horizontal quando o Sol, Lua e Terra estão alinhados, e mostrou que afecta a disposição da sequência de grãos de cristais, bem como a largura de onda de espectros de átomos e moléculas.

               Uma possível evidência do Escudo da Gravidade é reportada nas experiências de Evgeny Podkletnov e seus colaboradores, em 1992 e 1995. Na presença de um campo magnético, uma cerâmica supercondutora foi magneticamente levitada e rodada a alta velocidade, sendo que os objectos colocados acima do disco em rotação alteraram o peso. Obtiveram--se reduções de peso de 0,3 a 0,5%. Ao reduzir a velocidade de rotação de 5000 rpm para 3500 rpm, foi obtida uma redução de peso de cerca de 2% durante cerca de 30 segundos.



Gravidade e Eletromagnetismo

             Várias experiências apontam para um ligação entre eletromagnetismo e gravidade. De seguida são referenciadas de uma forma muito breve algumas dessas experiências.

             Erwin Saxl descobriu que, ao electrizar positivamente um pêndulo, este demorava mais tempo balanceando sobre o seu arco do que ao ser negativamente electrizado.

            Maurice Allais conduziu experiências em 1953 de forma a investigar a acção do campo magnético no movimento de oscilação de um pêndulo de vidro dentro de um solenóide, concluindo que haveria uma ligação entre electromagnetismo e gravidade.

            Bruce DePalma conduziu inúmeras experiências, mostrando que a rotação de campos magnéticos podem apresentar anómalos efeitos gravitacionais. As experiências de Podkletnov parecem confirmar esta conclusão.

           John Searl, um pesquisador bastante controverso no campo da electrogravidade, descobriu, em 1949, que uma pequena vol-tagem (ou força electromotriz) era induzida em objectos metais em rotação, uma vez que a carga negativa se deslocava para os bordos e o centro de rotação ficava repleto de carga positiva. Searl concluiu que os electrões livres eram expulsos pela força centrífuga, deixando a carga positiva no centro.

           Em 1952, Searl construiu um gerador com cerca de 3 pés de diâmetro, baseado neste princípio conhecido como o ‘Efeito Searl’. Quando testado ao ar livre, produzia um forte efeito electrostático nas objectos em redor, acompanhado de sons estaladiços e cheiro a ozono. O gerador saía então do chão enquanto acelerava, atingindo uma altura de 50 pés, até romper a ligação com o motor. Era nítida uma pequena nuvem rosa à volta do disco, indicando a ionização da atmosfera circundante. Finalmente atingia uma outra velocidade crítica de rotação, ganhando ra-pidamente altitude e desaparecendo da vista desarmada.



           Dois cientistas russos, U. V. Roschin e S. M. Godin, levaram a cabo uma experiência com base no gerador de Searl e observaram uma redução de 35% do peso, luminiscência, cheiro a ozono, efeitos anómalos do campo magnético e queda de temperatura. Eles concluíram que tanto a física ortodoxa como a física que não considera a existência do éter não explicam estes resultados.

            Nos anos 80, o engenheiro eletrico Floyd Sweet desenvolveu um sistema que consistia num conjunto de condições magnéticas especiais, conhecido como o VTA (vacuum triode amplifier), concebido para induzir oscilação em campos magnéticos. O engenho era capaz de libertar muita mais potência do que aquela que absorvia, captando energia do vácuo, ou seja, energia do éter. Em algumas experiências chegou a perder 90% do seu peso inicial, antes da experiência ter terminado por razões de segurança.


           O ‘Efeito Hutchison’ refere um conjunto de fenómenos descobertos acidentalmente pelo inventor John Hutchison em 1979. Efeitos electromagnéticos obtidos através da combinação de equipamento eléctrico, incluindo condutores Tesla, produziam a levitação de objectos (incluindo bolas de canhão), fusão de materiais não similares (como metal e madeira), aquecimento anómalo de metais sem a combustão de material adjacente, fractura espontânea de metais e alterações na estrutura cristalina e propriedades físicas de metais.

          Os cientistas Paulo e Alexandre Correa, apologistas do éter, também demonstraram que a gravidade pode ser controlada por meios electromagnéticos. Numa das suas experiências, uma folha de ouro de 43 miligramas foi suspensa num dos braços de uma balança electrónica, apresentando uma rápida redução de 70% do seu peso. Este efeito foi conseguido, impondo uma frequência eléctrica de forma a coincidir com o ponto anti-gravítico do ouro (como é chamado no modelo ‘aetherometry’ de Correa). Esta técnica permite uma redução de 100% do peso em objectos de composição conhecida na ordem dos 100 miligramas.


Explicação da Existência da Gravidade


         A teoria da gravidade newtoniana assume que a gravidade se propaga instantaneamente através do espaço vazio, ou seja, pressupõe-se ser uma forma de acção à distância. No entanto, numa carta privada, Newton desmente esta ideia, referindo acreditar que nenhum homem, com a faculdade de possuir um pensamento filosófico, poderia cair no erro de acreditar no absurdo de que a gravidade seria inata, inerente e essencial à matéria, duma forma que um corpo actuasse sobre outro à distância através do vácuo, sem a mediação de algo mais, conduzindo acção e força desde um corpo até ao outro.

       Newton frequentemente brincava com a ideia da existência de um éter que preenchia totalmente o seu ‘espaço absoluto’, através do qual a causa da gravidade seria um agente espiritual, que Newton concebia como ‘Deus’.

       A necessidade de postular um éter é descrito por G. de Purucker:

      “Ou temos de admitir a existência de éter ou éteres, ou seja, desta substância extremamente ténue e etérica que preenche todo o espaço, quer interestelar ou interplanetário, interatómico ou intra-atómico, ou aceitar ‘actio in distans’ - acção à distância - sem intervenção de intermediários ou meios de transmissão; e tal ‘action in distans’ é obviamente impossível, segundo o conhecimento científico standard. Razão, senso comum, lógica,... exigem a existência de um meio universalmente prevalecedor, seja qual for o nome que decidamos chamar-lhe.”


        Albert Einstein, em 1905, rejeitou o éter, considerando-o supérfluo. Apesar de considerar um ‘éter gravitacional’, reduziu-o a uma abstração vazia, negando qualquer propriedade energética. Em 1915 Einstein publicou a sua teoria da relatividade, que é, essencialmente, a teoria da gravidade - na teoria newtoniana, gravidade supostamente actua de forma instantânea, enquanto que na teoria da relatividade se propaga à velocidade da luz. Einstein não contestou a noção newtoniana de que a massa inerte seria a causa da força gravítica. Mas enquanto Newton atribuiu a atracção gravítica à densidade da matéria, Einstein assumiu que a mesma quantidade da matéria (massa) de alguma forma deformava o hipotético espaço-tempo contínuo de 4 dimensões, e que esta deformação faria os planetas orbitarem o Sol. Noutras palavras, gravidade não é vista como uma força que se propaga, mas supostamente resulta do facto das massas distorcerem a estrutura do espaço-tempo. Então, em vez de ser atraída pelo Sol, a Terra supostamente segue, de forma bastante aproximada, uma linha disponível através da forma curva do espaço-tempo à volta do Sol.

         Alguns cientistas teorizaram que a massa, inércia(3) e gravidade estão relacionadas com a energia flutuante do campo de Ponto-zero (ZPF - Zero Point Field) (4). As flutuações do ZPF fazem com que partículas com carga emitam campos electromagnéticos se-cundários, aumentando uma força residual de atracção, que é a gravidade. Nesta teoria, a gravidade é vista como uma manifestação do eletromagnetismo. Através da reconfiguração do ZPF à volta de um campo, é possí-vel alterar a sua inércia - ou ‘massa inerte’ - e controlar a gravidade.

        Segundo a teoria Impacto da Gravidade, que surgiu no séc. XVIII com o cientista Georges-Louis Le Sage, a gravidade é causada por matéria física continuamente bombardeada por partículas extremamente pequenas e invisíveis - gravitons(5) - que viajam através do espaço em todas as direcções a uma velocidade mais rápida do que a velocidade da luz. As partículas seriam tão minúsculas que só ocasionalmente embateriam no material constituinte dos corpos que atravessavam de forma a que cada constituinte tivesse a mesma probabilidade de ser atingido. Quaisquer dois corpos no espaço impediriam o outro de alguns impactos de gravitons, resultando numa atracção através de uma força que obedece à lei inverso-quadrado. Existem hoje em dia várias versões da teoria de Le Sage.

     Baseado no trabalho de cientistas pioneiros como Nicola Tesla, Louis de Broglie, Wilhelm Reich e Harold Aspden, os cientistas canadianos Paulo e Alexandra Correa desenvolveram um modelo bastante detalhado e quantitativo de éter dinâmico, conhecido como ‘aetherometry’. Este modelo propõe que o movimento de rotação e translação dos planetas, estrelas e galáxias são o resultado dos movimentos do éter em múltiplas escalas. Ondas de éter eléctrico e não-eléctrico impregnam, por exemplo, a Terra de impulsos à medida que se direccionam para o planeta; e este afluxo de energia não só atrai a Terra, como produz o seu campo gravítico. Quando a energia do éter não-eléctrico interage com cargas físicas ou etéricas, produz ora gravitons, que impelem uma partícula ou corpo para regiões de grande densidade mássica, ora antigravitons, que a impelem na direcção oposta. Forças gravitacionais são essencialmente forças electro-dinâmicas que dependem da polaridade: o modelo ‘aetherometry’ argumenta que a gravidade resulta de uma atracção electro-dinâmica que ocorre quando a matéria, que é basicamente neutra (com cargas equilibradas das duas polaridades), interage com a rede de éter formada por cargas coordenadas livres de matéria - a antigravidade resulta de uma repulsão electrodinâmica que ocorre quando a matéria possui uma rede de carga e interage de forma coordenada com a rede de carga ambipolar equivalente.


Joana Conceição


Notas:
(1) Newton nasceu na aldeia de Woolsthorpe, no Lincolnshire, Inglaterra. Desde os tempos de escola que demonstrava um grande interesse em construir sistemas mecânicos que ele próprio projectava, como relógios de água e quadrantes solares. Após a graduação no Trinity College, Universidade de Cambridge, foi obrigado a retirar-se durante os anos de 1665 e 1666 para Woolsthorpe, devido a uma epidemia de peste negra. Durante estes dois anos, fez importantes descobertas na Matemática (teorema do binómio, cálculo diferencial), na Óptica (teoria da cor) e na Mecânica (as duas primeiras leis do movimento, a fórmula da aceleração centrípeta). Segundo Stukeley, biógrafo de Newton, este contou-lhe que a ideia da atracção universal lhe ocorreu ao observar a queda de uma maçã. De regresso a Cambridge, já famoso pelos seus trabalhos, foi nomeado professor de Matemática. A publicação, em 1672, da sua teoria sobre a luz e as cores gerou tanta controvérsia, que o dissuadiu de efectuar mais publicações. Persuadido por Halley (astrónomo cujo nome foi dado a um cometa), Newton completou e publicou “Philosophiae Naturalis Principia Mathematica” (1687). Neste tratado, enunciou as três leis do movimento e formulou a lei da atracção universal. Estas sínteses e generalizações a que Newton chegou, constituem as bases da Mecânica Clássica. Mais tarde, em Londres, dirigiu a Royal Society, a sociedade científica mais antiga do mundo.


(2) Diferença entre Peso e Massa:

Peso (P) é uma força, portanto uma grandeza vectorial; o peso de um corpo depende da natureza e da distância dos outros corpos que exercem forças gravíticas sobre ele, portanto o peso dum corpo não é uma propriedade inerente ao corpo; a intensidade do peso dum corpo mede-se com um dinamómetro em equilíbrio.

Massa (m) é uma grandeza escalar; a massa não depende da presença de outros corpos, portanto é uma propriedade inerente ao corpo; a massa de um corpo mede-se dum modo prático com uma balança de dois pratos, por comparação, partindo do princípio que, se dois corpos possuem, no mesmo lugar, o mesmo peso, terão também a mesma massa.

P= m.g


(3) Resistência de um corpo à mudança do seu estado de movimento.

(4) De acordo com a teoria quantum, campos electromagnéticos (e outros campos de forças) estão sujeitos a constantes flutuações totalmente aleatórias, até à teórica temperatura do zero- absoluto (-273 ºC), quando toda a agitação térmica termina. Como resultado, o ‘espaço vazio’ é tido como repleto de energia temperatura-zero, na forma de campos de radiação electromagnética oscilante - o campo de Ponto-zero (ZPF).

(5) Um termo que denomina diferentes conceitos em diferentes teorias.


Para saber mais:

http://www.antigravity.org/

http://www.spacetimetravel.org/

http://ourworld.compuserve.com/homepages/dp5/relativ.htm

http://www.theosophy-nw.org/theosnw/science/sc-selec.htm

http://www.austheos.org.au/clibrary/bindex-5.html

http://www.americanantigravity.com/hutchison.html

http://www.geocities.com/ResearchTriangle/Thinktank/8863/index.html#UPDATE

http://www.spacetelescopes.com/gravitation.html

http://www.intalek.com/Index/Projects/Re-search/TheHutchisonEffect.htm

http://www.dpedtech.com/OPdex.htm

http://www.astroenlazador.com/







segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

UFPA e Unopar clonam 10 touros

        O convênio de cooperação técnica na área de Biotecnologia da Reprodução, existente entre a Universidade Federal do Pará (UFPA) e a Universidade Norte do Paraná (Unopar), vem apresentando resultados bastante positivos. Até agora, já nasceram 10 clones de um touro da raça Girolando, chamado Irã, um conceituado reprodutor, que morreu no início de 2010. O 10º Irã nasceu no meio de mês de novembro, pesando 46,5 quilos. A equipe responsável pelo projeto é formada por pesquisadores da UFPA, Unopar e Universidade de São Paulo (USP).


        Segundo os professores Otávio Ohashi e Moysés Miranda, do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UFPA e coordenadores do projeto, a parceria entre a UFPA e a Unopar une: competência acadêmica, que é a experiência que a UFPA já possui sobre a produção in vitro de embrião e a clonagem; com a infra-estrutura da Unopar, que é a parte instrumental de laboratórios e equipamentos, para desenvolver tal procedimento científico. “Além dessa infraestrutura, a Unopar tem um rebanho muito bom em termos de bovinos, bem como uma Faculdade de Veterinária, que cuida desses animais”, destaca o professor Otávio Ohashi.

           O pesquisador explica ainda que o objetivo principal dessa parceria é a transferência de tecnologia. “Trata-se da soma de esforços de uma instituição pública com uma instituição privada, para que o conhecimento não fique restrito às estantes e prateleiras, destinadas à dissertações e teses, que falam de teorias, sem ter como colocá-las em prática, por falta de infraestrutura", diz ele.

          Por meio do projeto Fábrica de Clones, desde junho de 2010, já nasceram 13 bovinos clonados, entre machos e fêmeas. Irã é fruto de uma parte do projeto, resultante de 25 transferências de embriões clonados, que produziram nove nascimentos.
Boi Ira - Clonagem orientada pela UFPA

           Com a clonagem já implantada e funcionando, o próximo objetivo do projeto é o nascimento de um animal transgênico (modificado geneticamente). O Estudo visa a produção de proteínas de intresse humano no leite de vacas, por exemplo, possibilitando a produção em larga escala de fármacos para o tratamento de doenças humanas. Porém, este processo só começará a ocorrer em meados do ano que vem. (ASCOM UFPA)

sábado, 1 de janeiro de 2011

Qual a importância da descoberta de bactéria anunciada pela Nasa?

      A Agência Espacial Americana (Nasa) anunciou no Dia da Astronomia, quinta-feira (2), que pesquisadores encontraram, em um lago da Califórnia, Estados Unidos, bactéria que incorpora o arsênio - um veneno letal para a maioria dos seres vivos - no DNA. O que, diziam empolgados os cientistas, terá impacto na busca de formas de vida extraterrestre. Mas por quê?


        Em busca de uma explicação científica e compreensível para leigos, o Yahoo! entrevistou Carlos Alexandre Wuensche, professor titular e responsável pela linha de pesquisa em cosmologia do obersvatório do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O astrofísico é apaixonado pela astrobiologia, ciência que estuda a vida fora da Terra, desde 2004. E, com exclusividade, responde as principais dúvidas sobre o tema:

Yahoo! - Qual a importância da descoberta?

Carlos Alexandre Wuensche - O principal é que está confirmado, mas tem gente que contestou a pesquisa, que existem outras possiblidades de a vida se rearranjar, diferentemente do que conhecíamos até agora. A gente sabia que os seres vivos eram compostos por carbono, nitrogênio, oxigênio, hidrogênio, fósforo e enxofre. A supresa está nessa bactéria, no lugar do fósforo, usar arsênio. Para entender, imagine que o DNA é uma escada. O fósforo é a lateral da escada, neste caso, no lugar dele, há o arsênio. Além disso, trata-se do inesperado porque o arsênio é um veneno para a maioria das espécies.

Y! - Por que alguns pesquisadores contestam a descoberta?

CAW - Quem contesta diz que o arseniato no lugar do fosfato deveria gerar uma reação química que desmontaria a estrutura do DNA. Mesmo assim, a descoberta é fantástica porque deve haver uma reação que a gente não conhece que estabiliza o DNA composto com arseniato. Agora, os pesquisadores estão procurando outras bactérias em lugares ricos em arsênio para checar se existem outras semelhantes.

Y! - Mas já existia hipótese de vida baseada em outros elementos químicos, não é?

CAW - Um artigo, publicado em 2003, falava da hipótese de vida baseada em silício. O problema é que ele possui uma série de limitações físicas. No lugar da água - que permite que aconteçam processos químicos que dão origem à vida -, deve existir nitrogênio, amônia ou metano líquido. Mesmo assim, um fator complica essa criação. O silício trabalha em temperatura abaixo de zero, em por volta de -200 ºC. O metabolismo nessa condição é mais lento e a energia é baixa, tornando essa formação mais complicada. Sem contar que nitrogênio, amônia ou metano líquido são menos abundantes que a água.

Y! - Por que os pesquisadores relacionaram a descoberta com a chance de encontrar vida fora da Terra?

CAW - Porque, até agora, a gente procurava algo parecido com o que conhecemos na Terra. Com a descoberta, há uma versatilidade para procurar vida fora do planeta. Pode ser que perdemos a chance de encontar vida fora do planeta, por não saber que certeza se existia desse tipo. Mas os pesquisadores não começaram o estudo, no lago da Califórnia, de olho nisso. Eles estudavam o lugar por ser muito salino e, mesmo assim, existirem bactérias vivendo bem lá. Sem querer, ao ver que o DNA incorpora o arsênio, surgiu a surpresa.

Y! - Quais as principais dificuldades em encontrar vida fora da Terra?

CAW - Desconsiderando encontrar vida inteligente, já que outra civilização teria que enviar um sinal para cá e a gente captar, pode ser que resquícios de bactérias que já existiram ou bactérias vivas sejam encontradas em Marte ou nas luas de Júpiter. Na Terra, mais de 99% dos organismos vivos são bactérias. Em Marte, por exemplo, há uma grande quantidade de gás metano. Sabe-se que o elemento pode ser derivado de respiração vegetal e o nitrogênio, por exemplo, de decomposição de sistemas vivos. Então, o subsolo do planeta pode estar repleto de bactérias ou, outra hipótese, é que alguma atividade geológica como vulcões gera o gás. O solo do planeta será escavado e analisado em busca de bactérias. A melhor maneira é ir até os planetas, luas, etc. Mas as distâncias entre eles e a Terra são muito grandes. Para chegar ao sistema estelar mais próximo de nós, o Alfa Centauri, seriam necessários 176 mil anos viajando na velocidade do ônibus espacial (28 mil km/h).

Y! - Por que por telescópio ainda não encotramos vida extraterrestre, já que podemos analisar os compostos de corpos celestes?

CAW - A gente tem que ter a sorte de apontar para o lugar certo. Além disso, para se ter uma ideia, de 500 planetas encontrados fora do Sistema Solar apenas no máximo seis são parecidos com a Terra. Talvez, a próxima geração de satélites seja capaz de ver mais longe e analisar os elementos químicos desses planetas.

Y! - Apesar de todos esses obstáculos, acredita-se que ainda encontraremos vida em outro lugar que não seja a Terra? Aliás, por que os cientistas insistem nas luas de Júpiter?

CAW - Pensando de maneira bem ortodoxa, se eu tiver que apostar uma garrafa de um bom vinho, diria que encontraríamos vida simples como bactérias dentro do Sistema Solar. Só não saberia dizer quando, pois seria um chute. Pode demorar 100 anos ou dez. As luas de Júpiter alimentam esperanças por terem um tamanho parecido com o da Terra e uma temperatura média acima de 0ºC, que consegue manter a água líquida - um ambiente bacana para as bactérias aparecerem. Uma vida mais complexa já é outra história. Primeiro, pois como surgiu a vida na Terra continua sendo um mistério. Aliás, esse é o pulo do gato. Depois, a evolução é algo mais complicado ainda. Envie uma bactéria para o espaço. É capaz que ela sobreviva em uma rocha por anos. Um ser humano morreria por vários motivos, falta de oxigênio, radiação, infecção.

Por Isis Nóbile Diniz, da Redação Yahoo! Brasil

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